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Cunhado pelo cofundador do Ethereum, Gavin Wood, em 2013, o termo Web 3 se tornou proeminente nas discussões sobre a internet e vem chamando atenção em diversas manchetes. Este artigo explica o conceito de Web 3.0 em termos simples.
Uma viagem pela história: entendendo a World Wide Web
Atualizações de versão e rebranding não começaram apenas com os aplicativos de celular. O sistema de informação que sustenta a internet— a World Wide Web — passou por transformações imensas ao longo de várias décadas. Especialistas em tecnologia costumam descrever essas evoluções em três camadas: Web 1.0, Web 2.0 e Web 3.0.
Web 1.0: o amanhecer da internet
A Web 1.0 representa a fase inicial da internet. Apresentada pelo cientista da computação Tim Berners-Lee em 1989, ela representou um salto significativo em relação às mídias tradicionais, como televisão, jornais e rádio. A Web 1.0 digitalizou o compartilhamento de informações, já que os primeiros usuários da internet passaram a receber informações em seus computadores pessoais em tempo real. Qualquer pessoa com acesso à internet podia acessar informações valiosas, como previsões do tempo, atualizações de notícias e até cotações de ações.
Web 2.0: a ascensão do conteúdo gerado pelo usuário
A fase seguinte da internet possibilitou mais interatividade, com o surgimento de sites de redes sociais como MySpace, Twitter e Facebook. Com conteúdo mais dinâmico e melhor comunicação, a Web 2.0 atraiu nitidamente mais usuários, expandindo por consequência sua utilidade para praticamente todos os setores.
O que a Web 3.0 envolve?
Embora a internet tenha se expandido rapidamente na era da Web 2.0, com milhões de participantes agradecidos, surgiram várias questões, como regulações e preocupações com privacidade. Vamos ver essas limitações atuais em mais detalhes:
Regulações
Nos primórdios da internet, um certo John Perry Barlow publicou a Declaração de Independência do Ciberespaço. No documento de 16 parágrafos, ele propôs “um espaço social naturalmente independente das tiranias que o governo busca impor”. O que quer que o documento fosse, profético ele não era. A internet de hoje está carregada de vários tons e cores de controle—censura, restrições, banimentos totais etc.
Privacidade de dados
Enquanto inúmeros processos judiciais por violações de privacidade de dados enchem os tribunais mundo afora, a estrutura atual da internet reforça o problema. A Web 2.0 depende fortemente de publicidade, inundando os usuários com anúncios onipresentes. Gigantes de tecnologia acumulam bilhões de fragmentos de dados de usuários e obtêm lucros substanciais por meio de anúncios direcionados.
O custo da confiança
O alto custo da confiança no espaço web atual exige uma mudança no modus operandi. As transações online envolvem intermediários que cobram um percentual ou uma taxa fixa por serviços administrativos e jurídicos. A dependência de terceiros para viabilizar transações contribui para a estrutura de custos no espaço web.
Princípios da Web 3.0
Democratizando a governança
A Web 3.0 redefine fundamentalmente a governança ao migrar de estruturas centralizadas tradicionais para modelos mais descentralizados. A Web 3.0 introduz mecanismos como as Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs), em que as decisões são tomadas por processos transparentes e conduzidos pela comunidade. Os participantes, que muitas vezes detêm tokens de governança, influenciam diretamente as mudanças de protocolo e os rumos dos projetos, favorecendo um cenário de tomada de decisão mais democrático e descentralizado. Essa mudança reduz a concentração de poder nas mãos de poucos. Ela promove um sistema em que a governança é distribuída, transparente e determinada coletivamente pela comunidade, alinhada aos princípios de descentralização e de empoderamento do usuário.
O processo de votação na blockchain Cosmos. Fonte: cosmos.explorers.guru
Reduzindo o custo da confiança
A Web 3.0 diminui substancialmente o custo da confiança ao descentralizar o controle por meio da tecnologia blockchain. Essa abordagem descentralizada elimina a necessidade de intermediários caros, já que a confiança é estabelecida por mecanismos de consenso em toda uma rede. Os contratos inteligentes, essenciais para a Web 3.0, automatizam acordos e reduzem significativamente o custo da intermediação. Esses contratos autoexecutáveis garantem termos transparentes e imutáveis, minimizando ainda mais o risco de disputas. Ao passar da dependência de autoridades centralizadas para redes distribuídas, a Web 3.0 transforma fundamentalmente a dinâmica da confiança, tornando as transações digitais mais eficientes e mais econômicas.
Controle e propriedade do usuário
Na Web 3.0, os usuários podem ter identidades descentralizadas, o que significa que eles controlam suas informações pessoais e a forma como são compartilhadas. As DIDs permitem que os usuários se autentiquem e interajam online sem depender de uma autoridade centralizada. Além disso, por meio de tecnologias como armazenamento descentralizado e redes endereçáveis por conteúdo, os usuários podem ter mais propriedade e controle sobre seus dados, como acontece com os NFTs. Eles podem decidir quem acessa suas informações e sob quais condições.
Conclusão: a Web 3 é um modismo?
Com muitas startups mergulhando na Web 3.0 e somando mais de US$ 80 bilhões em captações, fica cristalino que a Web 3 vai reescrever a narrativa da internet, oferecendo um vislumbre de um futuro em que confiança, transparência e controle do usuário ocupam o centro do palco.
Fique de olho neste blog para todas as novidades sobre a web 3.0!


